quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Jump Rope

Minha banda preferida do mês é Blue October, da mesma forma que mês passado era The Pierces.
O que a música faz na minha vi9da tem uma peculiaridade muito semelhante a dos livros. Os livros me ensinam coisas que posso aplicar na minha vida, e a música me mostra as coisas que vivi. De uma forma única.
Estava conversando com Gislene (amiga, irmã, anjo da guarda, a pessoa que mais me irrita no mundo, ainda não sei defini-la, e acho que nunca saberei), e, ouvindo Blue October ela comentou o que o dia ontem foi pra gente. E, como acontece com muita freqüência com nós duas, sentimos a mesma coisa com relação ao dia que vivemos.
Foi como nos velhos tempos, sentadas em uma escada falando de coisas absurdamente insignificantes, tanto que nem me lembro do que falávamos, e depois disso, uma reunião com nossos amigos, antigos e novos amigos, um  monte deles, como costumava ser quando nos só achávamos que éramos infelizes.
E ontem definitivamente foi um dia em que eu me lembrei do meu passado com uma vontade gostosa de chorar que sinto até agora, aquele choro que é gostoso de sentir, choro de saudade de coisa boa que só eu vivi. Ontem eu fiquei aqui no trabalhando falando com as pessoas da minha infância sobre banhos de bacia, de nadar no tanque de lavar roupa e das coisas de mato que eu comia, da planta que fechava quando eu encostava nela, das bolinhas pretas que a gente chupava e chamava de "cu de pinto" porque a boca da gente ficava preta.E enquanto eu ia pra casa ontem achei essas bolinhas no meio da rua. Eu quis pegar uma muda pra plantar em casa, na esperança de que eu pudesse resgatar um pouquinho do meu passado, mas ai eu percebi que felicidade a gente reconstrói a cada dia que passa, não da pra trazer do passado.
Mas eu preciso afirmar que ainda assim foi bom viver o dia de ontem da forma como vivi.Lembrar das coisas do meu passado me fez perceber que, por mais difícil que tenha sido a vida que eu levei, durante minha infância, existiram esses momentos. E tudo o que eu precisava fazer pra que meu dia fosse bom, era ir pra casa em um dia de chuva e fazer barquinhos de papel pra colocar enxurrada abaixo, e, naquele barquinho, todos os meus problemas e minhas dúvidas iam embora. E depois, ah!, era só felicidade.
Era só sair correndo pela enxurrada e depois agüentar minha mãe e as varadas de acerola, mas eu preciso dizer que, nesses dias, nem as varadas doíam.
Sabe, quando eu me lembro desses momentos, vejo que as coisas podem ser bem mais simples. E percebo que posso atestar com minhas próprias experiências que a vida é que nem pular corda. Up, down, up, down,up, down, up, down.




Um comentário:

  1. Percebo que não tive infância.Que não vive momentos como estes.E fico feliz por saber que eles são reis.

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